quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vai de retro, projetor!



Definitivamente a civilização está fadada ao fracasso. Cada vez que eu começo novamente a acreditar que a humanidade tem salvação, quando eu volto a ter esperança na raça humana, aparece alguém e comete um ato realmente desprezível só para me lembrar de que eu estou errado. Eu posso dizer, com certeza, que ser humano algum está acima de agir de forma cruel e egoísta. E depois ainda me perguntam por que é que eu reclamo tanto do mundo. As pessoas não conseguem entender que não é do mundo que eu reclamo (na verdade, eu acho o mundo perfeito, sem defeito nenhum), mas sim da sociedade e das pessoas que a constroem (que são hipócritas, mesquinhas, gananciosas, egoístas, cruéis, egocêntricas, petulantes, pusilânimes...). Às vezes eu penso que uma grande glaciação provavelmente seria a melhor opção para a civilização no momento (não como aquela do filme, uma realmente grande). Provavelmente, alguém deve estar se perguntando “Este cara acha que todo mundo é culpado?”. Pois eu não acho, não. A grande maioria da população não é culpada, pelo menos não inicialmente. O que acontece é que o povo é doutrinado para agir assim, é acostumado a não raciocinar e depois ensinado que é normal ser egoísta, ganancioso, só pensar em si mesmo e visar apenas o ganho pessoal. E sabe porquê? Assim eles aceitam com naturalidade quando seus governantes agem deste modo. Mas, se pararmos para pensar, haveria um modo de alterar esta situação, se os multiplicadores da cultura e da educação de nosso povo (leia-se professores) agissem contra esse “plano” de doutrina. Pois é, se. E eu digo isso porque o que acontece na maioria das vezes é exatamente o contrário. Os professores, que deveriam ser pessoas esclarecidas e preparadas para ensinar seus alunos a raciocinar e questionar, acabam muitas vezes ensinando-os a aceitar e concordar sem questionar. E por que isso acontece? Normalmente, por conveniência, afinal é muito mais tranqüilo manter o controle sobre uma turma que não questione e aceite tudo sem nunca se revoltar. Muitas vezes estes professores são do tipo que não dominam o assunto, colocando sempre como as coisas são, mas nunca por que o são, e respondendo qualquer pergunta para a qual ele não estava preparado com “Isto não é pertinente ao assunto” ou algo do gênero. Algumas vezes também entra em cena o quesito vaidade. Muitos professores simplesmente não encaram o fato de que não sabem de tudo e são incapazes de dar o braço a torcer quando estão errados (seja no que diz respeito a um conhecimento, modo de agir, julgamento, método de correção de prova, etc.). Estes verdadeiros capatazes sentem-se feridos em seu orgulho todas as vezes que alguém discorda de algo que tenham dito ou feito, e costumam usar de castigos e penalizações a torto e a direito, sendo conhecidos por seu costume de “marcar” o aluno. E é claro que tem a simples preguiça. Muitos professores não gostam de dar aula, fazendo-o apenas pelo dinheiro (ou qualquer outra razão que possa existir) e não querem ter trabalho com isso, mostrando o mundo como sendo preto e branco, com tudo bem separado e definido, sem adentrar em aspectos mais complexos de nenhum assunto (ou seja, fazendo tudo nas coxas). É aqui que se encaixam os retroprofessores, aqueles que colocam todo o assunto escrito em transparências, ligam o retroprojetor (ou datashow) durante a aula inteira e só ficam lendo o que está escrito. É claro que existem os bem intencionados, que acreditam no uso de outros tipos de mídia e que falam coisas além do que está escrito nas transparências, mas o problema é que este tipo de aula costuma ser tão maçante (já que normalmente colocam tanto assunto nas transparências que raramente há diálogo com os alunos), tão chata, que acaba por desestimular o aluno e não ajuda muito o exercício do raciocínio (além de dar o maior sono, já que é comum apagarem as luzes). Será que os professores não sabem que existem vários tipos de recursos que podem ser utilizados, e que podem ser bem mais eficientes do que datashow ou transparências, como as aulas dialogadas, por exemplo? O pior é que, às vezes, quando aparece um professor decidido a mudar a situação e começa a agir diferente dos demais, ele é ignorado ou até pior, ridicularizado. E algumas vezes isso ocorre por parte dos próprios alunos, que já estão acostumados com os professores ruins e não compreendem a boa intenção deste indivíduo.
É por atitudes deste tipo que algumas vezes eu penso que vale mais a pena desistir de lutar por uma sociedade melhor e já se dar por satisfeito se tivermos um fim rápido e honrado (antes de nos degradarmos ainda mais).

Zé Kaos

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