quarta-feira, 27 de julho de 2011

Felicidade brilha no ar, como uma estrela que não está lá...


No boteco, no barzinho, na festinha, em qualquer lugar, você encontrará um casal. Juntos ou perto um do outro, dançando, bebendo cerveja, cachaça, jogando baralho, fazendo um churrasco, escutando Odair José. Cantando "I Just Called to Say I Love You", do Stevie Wonder, em embromation, no videokê.
Ela pode ter uns 140 kg, ter um cabelo que parece uma estopa feita com restos de espuma de um colchão velho e amarelo. Os lábios com batom vermelho-fogo, as unhas rosa-choque, calçando uma sandália havaiana verde e gasta, e com um pedaço faltando que deixa as joanetes de fora.
Ele, com 1,55 m de altura, sem os dentes, dos caninos pra trás, bigode tipo escova de engraxate. A testa lisa que vai até a nuca, com uma camiseta de deputado estadual furada e cortadas as mangas, pra se fazer de regata. Seu suor é inflamável.
No meio de uma festa de aniversário, da reunião de domingo da família, na festa junina da escola, você verá os filhos do casal, os três, correndo pra lá e pra cá, gritando, sem rumo, igual quando você arrasta o armário do porão e saem 25 ratos de trás.
Um toma o doce do outro, um corre atrás do outro, um xinga o outro de "filho-da-puta", a mãe xinga eles de "praga", o pai gruda um deles pela orelha e senta uma palmada na bunda, chacoalha e joga o filho pro lado. O pivete quase cai em cima da churrasqueira ou barraca de quentão, rasga o joelho no chão e fica chorando e berrando, enquanto limpa com os dedos o nariz cheio de catarro verde-musgo líquido, na camiseta branco cor-de-terra.
E, dia sim dia não, os pais se catracam, depois de assistirem ao Programa do Ratinho, com um cd pirata do Wando, de fundo.
E os dois abdômens proeminentes se fundem, os suores se misturam, os pentelhos se engancham. Os dentes que sobram em um completam na boca do outro, igual à última camada de elétrons quando dois elementos químicos se unem, numa ligação iônica, pra formar uma substância composta e perfeita.
E assim vai, até todo o sempre. Lembrando que, depois dos 45 anos, sempre acompanhado de uma batida de amendoim com catuaba.

E eu, formado,mestre, bilingüe, cheio de cultura, orgulhoso da minha origem, fazendo parte da minoria brasileira que tem acesso à Internet, com um emprego estável, capaz de resolver equações do 15º grau, saber que a capital da Moldávia é Chisnau, que sei que a mariposa macho sente os feromônios da mariposa fêmea a 14 km de distância, não consigo o que o ser humano mais humilde consegue ser: Feliz !!!

FISOSOFANDO SOBRE O ATO DE FAZER COCÔ


 A Humanidade precisa evoluir.

Tem um tio de uma amiga que vive perguntando:

- Se o homem veio do macaco, por que o macaco continuou macaco?

E eu pergunto: se somos a coroação da evolução, por que cagamos?

Cagar não fica nada bem para nossa espécie (se bem que de vez em quando sempre dá pra ler alguma coisa interessante).

O ato de cagar é tão humilhante para nós que não raro elaboramos expressões engraçadinhas (pra esconder nossa vergonha) para designar o acontecimento:

1 - Falar com o Ari Barroso.

2 - Reinar.

3 - Passar um fax.

4 - Largar um barro.

5 - Sujar a porcelana.

6 - Enforcar o Mandela.

7 - Exonerar o intestino grosso.

8 - Ocupar o trono.

9 - Dar uma barrigada.

10 - Fazer o que ninguém pode fazer por mim.

Preste atenção ao último item. É nele que vou me fixar.

Se estivermos evoluídos tecnologicamente, por que não inventamos um aparelho que faça com o que outras pessoas façam cocô por nós? Sei lá eu como seria isso, mas poderia resolver vários problemas.

Situação 1: Laboratório. Um telefonema urgente. Você precisa atender, mas sabe que não vai dar tempo. Você está quase desmaiando. A pessoa engata um assunto atrás do outro. Das duas uma: ou suas pregas exercem um excelente trabalho, ou então você não gosta mesmo de passar necessidade e relaxa, liberando o anjo da guarda do seu esfíncter.

Pela minha proposta, a situação seria assim: Laboratório. Um telefonema urgente. Alerta vermelho. Ou marrom. Ou verde, dependendo do que você tiver comido. Você sabe que não vai dar tempo. Então:

- Rui!!! Rui!!! (Sua voz está por um fio...)

E o Rui

- Que é Lele ???

- Tu tá muito ocupado? (Você, suando frio.)

- Não.

- Então me quebra um galho: vai no banheiro e dá um barrigada lá pra mim...

E o Rui:

- Tá bom !!! Eu vou !!! - E depois de se levantar: - Tudo eu !!! Tudo eu !!!

Mas a exemplo da diplomacia, há que haver o princípio da reciprocidade. Um dia, o Rui vai precisar de você. E eis que o dia chega:

- Ô Lele, não tá a fim de bater uma pelada com a gente amanhã, não ???

- Pô, Padre, não vai dar...

- Por quê ??? Tu levou artigos pra casa ???

- Não é nada disso... É que eu combinei com o Rui de ter uma diarréia pra ele amanhã... Sabe como é... Eu tava devendo essa pro cara...

- Então fica pra próxima...

- É... Fica...

As mulheres é que um dia iriam adorar, caso inventassem uma fórmula do homem ter umas cólicas mensais em seus lugares, porque nenhuma outra ia aturar ter uma porra dessas mais de uma vez por mês...