sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Uma análise tardia e desnecessária sobre Virtual XI

Lembro-me de ficar sabendo no final do ano de 1997 que nos primeiros meses de 1998 a minha banda preferida lançaria um novo álbum, naquela época a internet era artigo de luxo, só usava as vezes nos finais de semana, então toda informação a respeito das bandas eu conseguia pela imprensa escrita, mais especificamente pela Revista Rock Brigade. O álbum anterior causou certo espanto nos fãs, o estilo do novo vocalista era bem diferente do antigo, mas mesmo assim foi considerado bom pelos fãs, então a expectativa era de que a nova gravação fosse até melhor porque agora haveria mais entrosamento entre os integrantes, mas a história nos mostrou que não. A culpa era de quem? Não sei, mas digo com certeza absoluta de que não é de Blaze Bayley, na verdade ele é mais um bom vocalista que entrou numa fria e teve sua carreira marcada como o cara que não deu certo. Nas entrevistas que antecederam o lançamento foi dito que o álbum teria uma temática envolvendo o grande assunto do momento, o mundo virtual, pois bem, isso ficou apenas na parte gráfica, tanto do encarte do disco como no clipe da música The Angel and the Gambler. Havia também a expectativa de o futebol estar presente no lançamento e estava, novamente no encarte. Segue agora uma breve análise do álbum:

Futureal (Bayley/Harris):
A música de abertura do álbum é, se não me fala a memória, a mais curta da banda, mas é bem empolgante. A grande questão em torno dessa música fica pelo fato de ser uma das canções que continuaram, mesmo que por pouco tempo, no setlist da banda após a saída de Blaze Bayley e aí meu amigo, é onde mora o problema, na voz de Bruce Dickinson ela ficou ainda mais empolgante, se nunca ouviu joga lá no YouTube que você acha.

The Angel and the Gambler (Harris):
É a música mais longa do álbum, mostrando que a influência do rock progressivo sempre esteve presente na banda, mas além disso nota-se uma influência do Hard Rock setentista em algumas passagens da música, principalmente nas linhas de teclado, chegam a lembrar o gênio Jon Lord. Tirando o fato de o refrão ser repetido inúmeras vezes durante os nove minutos e cinquenta e dois segundos da canção pode-se dizer que é uma boa música.

Lightning Strikes Twice (Harris/Murray):
Uma música interessante, em alguns momentos nota-se uma certa preguiça da banda, poderiam ter trabalhado mais a música, mas mesmo assim não é totalmente perdida, pois a voz grave de Bayley aparece poderosa e compensa a falta de inspiração de seus colegas.

The Clansman (Harris):
Outra canção que permaneceu no setlist da banda, excelente canção por sinal, inspirada na história dos clãs escoceses. Na gravação original é muito boa, mas novamente se mostra muito melhor na voz de Bruce Dickinson. Essa música está entre as inúmeras outras que a banda fez sobre fatos históricos, mesmo sendo de uma época em que Dickinson, historiador, não estava na banda.

When Two Worlds Collide (Bayley/Harris/ Murray):
Talvez seja a música mais inspirada do álbum, a letra fala sobre a colisão entre dois mundos, no começo a impressão é de que dois planetas irão se chocar e foder a porra toda, mas na verdade podemos perceber que se trata de relações pessoais. A parte musical é de longe a que mais lembra o velho Iron Maiden, com o baixo galopante de Harris comandando a coisa toda.

The Educated Fool (Harris):
O tolo educado, é assim que enxergo Blaze Bayley, apesar de a letra ter sido escrita por Steve Harris ela se encaixa perfeitamente na carreira e, por que não na vida de Bayley, tanto potencial desperdiçado que acabou manchando sua carreira. A parte instrumental ajudou a definir o que seria a banda dali pra frente, os timbres dos instrumentos preguiçosos continuam até hoje.

Don't Look to the Eyes of a Stranger (Harris):
Apesar de ser uma música longa não há muito o que ser falado sobre ela, mais uma vez a preguiça reina na composição, repetitiva e pouco inspirada, inclusive na parte vocal, pois nem a voz grave de Bayley salva.

Como Estais Amigos (Bayley/Gers):
O ponto a ser levantado aqui é o fato que abanda presta uma homenagem aos argentinos pelo conflito das Ilhas Falkland, deve ser o mais próximo de um pedido de desculpa que os ingleses chegaram por causa da guerra. A letra até tem alguma inspiração, mas o instrumental fica devendo bastante, a cadência não é legal, muito arrastada, mas não de uma forma legal como seria em uma banda de Doom Metal por exemplo.

Conclusão:
Como já dito antes, Blaze Bayley foi injustiçado, mas nesse caso o problema é que ele pagou pela preguiça da banda, é lógico que não sabemos o que se passava nos bastidores, as fofocas contam que o relacionamento entre vocalista e banda não era dos melhores, não há como saber. Em comparação ao The X Factor vemos que a banda apresenta uma nova sonoridade, mas não podemos culpar o produtor, que foi Nigel Green, porque essa sonoridade continua até hoje com a produção de Kevin Shirley, portanto quem definiu isso foi Steve Harris. Depois de ter sido chutado da banda o ex-vocalista deu declarações de que o álbum posterior, Brave New World, tinha sobras das composições do Virtual XI, fato nunca confirmado, mas o que fica claro é que a fase Virtual XI perdura e teve seu ápice no álbum Dance of the Death, que apresenta composições bem piores que as deste álbum. Em resumo Virtual XI não é o pior lançamento da banda, mas é a pior fase.

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